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Painel de Azulejos com Céfalo e Procris – Século XVIII

Período: Século XVIII Dimensões: 182 x 98 cm Descrição:
Este painel de azulejos figurativos, executado em Portugal em meados do século XVIII, representa o desfecho da história mitológica de Céfalo e Procris, narrada por Ovídio nas Metamorfoses. Consumida pelo ciúme e convencida de que o marido se encontrava secretamente com uma ninfa chamada “Aura” — na realidade, a brisa fresca que Céfalo invocava durante as suas jornadas de caça —, Procris decide segui-lo e esconder-se entre a vegetação. Ao ouvir um ruído, Céfalo julga tratar-se de uma presa e lança o dardo infalível que a própria Procris lhe havia oferecido, atingindo-a mortalmente. A composição representa as consequências deste episódio, com Procris reclinada e Céfalo junto dela, enquanto dois putti sobrevoam a cena. Um deles transporta uma tocha, atributo tradicional do amor, que neste contexto adquire um sentido particularmente simbólico: perante o desfecho trágico, a chama recorda simultaneamente o vínculo amoroso que unia o casal e a sua fragilidade perante o ciúme e a desconfiança. A imagem encerra, assim, a dimensão moral da narrativa: mesmo um amor profundo pode ser destruído quando a confiança dá lugar à suspeita.

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